quinta-feira, 24 de abril de 2008

Lula convoca reação ao aumento de gastos públicos


23/04/2008 - 09h58 - Atualizado em 23/04/2008 - 10h35


SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve reunir três ministros - Guido Mantega (Fazenda), Luiz Marinho (Previdência) e José Gomes Temporão (Saúde) - para questionar líderes e presidentes de partidos aliados sobre a fonte de recursos para custear o aumento de gastos públicos aprovado pelo Senado há duas semanas.
Os senadores, impulsionados pelos petistas Tião Viana (PT-AC) e Paulo Paim (PT-RS) aprovaram a Emenda 29, garantindo mais recursos para a Saúde, extinguiram o chamado fator previdenciário - que obriga o cidadão a trabalhar mais tempo para assegurar a aposentadoria integral - e vincularam o reajuste de todos os benefícios da Previdência ao aumento do salário mínimo.
Durante reunião da coordenação política, ontem, Lula demonstrou muita preocupação com o assunto, sobretudo porque o aumento dos gastos não veio acompanhado da fonte de onde partirão os recursos. O governo teme que, sem isso, seja comprometida a política implementada de reajustes do salário mínimo. Por isso, o assunto será tratado na reunião do Conselho Político de quinta-feira.
A presença dos ministros servirá para conciliar o discurso técnico com o político. Lula vai mostrar aos aliados que não há viabilidade de financiamento das novas propostas. Mas é ano eleitoral e o governo precisa usar uma técnica de convencimento mais requintada do que o simples discurso. Os ministros vão estar lá para mostrar que não adianta aprovar matérias que comprometam as políticas de governo , afirmou uma fonte governista.
Um dos integrantes do Conselho Político já avisou que o governo não se furtará ao debate e, se preciso for, vetará os projetos aprovados pelo Senado, caso a base aliada na Câmara não consiga derrubar as iniciativas aprovadas no Senado. O governo já mobilizou uma vez a base quando a oposição, sobretudo o DEM, aprovou um projeto concedendo às aposentadorias o mesmo reajuste dado ao salário mínimo. Na época, fim de 2006, o governo havia anunciado um aumento de 5% para as aposentadorias e de 16,67% para o salário mínimo.
A oposição queria que esse mesmo percentual fosse aplicado aos aposentados que ganham acima de um salário mínimo, mas o governo conseguiu mobilizar a base aliada, derrubou a MP e editou uma nova medida, concedendo um reajuste de 5,01% às aposentadorias.
(Paulo de Tarso Lyra Valor Econômico)

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