segunda-feira, 18 de junho de 2007

Reforma ampla e profunda

SÃO LUÍS - O deputado federal Gastão Vieira (PMDB-MA) falou, na manhã de hoje, sobre a Reforma Política, assunto em pauta no Congresso e que vem gerando diversas polêmicas. O deputado esclareceu pontos muito importantes em entrevista concedida à Rádio Mirante AM. Gastão Vieira acredita que todos querem a Reforma, o problema é chegar ao consenso de que tipo de Reforma se deve fazer.

- Há uma divisão enorme. Eu posso falar pelo PMDB. A metade da bancada quer lista fechada a outra metade não quer. Pode ter uma variação de 60% a 40%, mas a bancada está, literalmente, dividida. Soube que em alguns outros partidos, como o PSDB, esta questão divide a bancada ao meio. Aí que mora o perigo pois a questão da divisão pode fazer com que as pessoas deixem para depois os pontos polêmicos e que, no fundo são os mais importantes da reforma política - alerta o peemedebista.

O deputado considera que as razões das divergências estão no mérito da discussão, pois os que são contra a lista fechada justificam que o poder poderá ficar concentrado na direção partidária.

- Ora, o dirigente partidário será forte, também, no financiamento público de campanha pois os recursos vão ter que passar pela direção do partido, de forma colegiada, mas será ele quem vai decidir - explica.

Gastão Vieira lembrou, ainda, da polêmica com relação às mulheres. elas estão reivindicando que, caso seja aprovada a lista fechada hovesse o rodízio, isto é, a alternância entre homens e mulheres. Se isso acontecesse, por lei, como regra em todos os partidos políticos, no Congresso Nacional teríamos aproximadamente 50% de homens e 50% de mulheres.

Para o deputado, as opiniões se encontram quando a questão é a fidelidade partidária.

- Um dos pontos unânime da Reforma é quanto a fidelidade partidária. Temos, ainda, um Projeto extremamente interessante do deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) com relação a financiamento de campanha. E temos, ainda, o fim das coligações. O 'desconsenso' está exatamente na Lista Fechada - disse.

Gastão Vieira considera que o problema está falta de uma grande liderança que possa direcionar as opiniões.

- Falta alguém que possa dizer: 'gente, vamos seguir este rumo. Vamos seguir este caminho que é melhor'. E não tendo este tipo de liderança na Casa, cada um busca sua opinião individual e o que é melhor para si. Eu, por exemplo, numa lista fechada valendo o critério da eleição anterior, eu ficaria numa posição confortável já que eu sou o primeiro do meu partido, mas eu não posso pensar só em mim. Tenho que pensar na Reforma como um todo - afirma.

Gastão Vieira apóia uma Reforma ampla e profunda e se declara Parlamentarista, apoiando, ainda, o voto distrital misto.

- Sou a favor de uma Reforma Política ampla. Eu sou parlamentarista por convicção. Acho que uma boa Reforma será aquela que discuta o voto distrital. Eu defendo o misto porque chamando para o meu caso, eu não recebo votos de apenas uma região, mas, do Estado do todo. E, com certeza eu teria dificuldades de me posicionar em apenas um distrito. Eu defendo o voto distrital misto - declara.

Nota do editor: Lista fechada é um mecanismo de escolha eleitoral, em eleições proporcionais. Na lista fechada, o partido determina previamente a ordem dos candidatos que vão compor a lista. Os eleitores votam na legenda partidária, para determinar quantos deputados o partido terá o direito de eleger. Os candidatos são eleitos em função da expressão partidária.

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